Uma indústria maior… mas será melhor?
O mundo gaming nunca foi tão grande. Em 2024, a indústria global do gaming voltou a movimentar centenas de milhares de milhões de dólares, consolidando-se como uma das maiores indústrias de entretenimento do planeta. Segundo estimativas da Newzoo, o mercado global de videojogos gerou cerca de 187 mil milhões de dólares em 2024, com previsões de crescimento contínuo.
Mas números impressionantes não contam toda a história.
Há 10 anos, jogar videojogos era uma experiência diferente, menos conectada, menos monetizada, mas também menos acessível e tecnologicamente limitada. Hoje, temos gráficos de última geração, mundos abertos massivos e jogos que duram anos. Em contrapartida, surgiram polémicas sobre monetização, lançamentos apressados e perda de identidade criativa.
A grande questão impõe-se: o mundo gaming está realmente melhor… ou apenas mais lucrativo?
Tabela índice
Como era o mundo gaming há 10 anos?

Há uma década, a maioria dos videojogos era lançada como uma experiência praticamente finalizada. Atualizações existiam, mas eram exceção, não regra. Comprar um jogo significava, na maioria dos casos, obter um produto completo desde o primeiro dia.
Micro transações, passes de batalha e lojas internas ainda não dominavam o mercado. O modelo tradicional de compra única criava uma relação diferente entre jogador e produto, com menos pressão para gastar continuamente após o lançamento.
As comunidades organizavam-se em fóruns, clãs e eventos presenciais. A escala era menor, mas o sentimento de pertença era, para muitos jogadores, mais forte.
O mundo gaming atual e o domínio dos “Games as a Service”

O que são jogos como serviço (GaaS)?
Atualmente, uma grande parte dos títulos mais populares segue o modelo Games as a Service — jogos pensados para durar anos, com atualizações constantes, novos conteúdos e monetização recorrente.
Este modelo permite que jogos como Fortnite, Destiny 2 ou Genshin Impact continuem relevantes durante muito tempo, mantendo comunidades ativas e receitas consistentes.
Os jogos como serviço (GaaS), tem as suas vantagens e desvantagens. Os GaaS tem muita vantagem porque tem conteúdo regular em que aparece sempre algo novo de tempos a tempos que faz com que os jogadores regressem ao jogo; tens comunidades sempre ativas que te trazem notícias, informações e estão sempre a par das novidades em termos de atualizações e é o que leva à evolução contínua do jogo.
Em contrapartida, é que estás sempre dependente de servidores e sobretudo se não tiveres internet não consegues aceder aos servidores e muito menos jogar. Esse motivo parece deixar uma sensação de um jogo inacabado parecendo que estás a jogar numa demo ou prologo de um jogo e ainda te deixa FOMO (Fear Of Missing Out), que é um sentimento que se não jogares ou estiveres numa comunidade tens aquela sensação que estás a perder algo bombástico relacionado com o jogo, porque não sabes quando haverá alguma atualização.
Resumindo, os videojogos deixou de ser apenas um produto e passou a ser um serviço permanente.
A evolução do mercado: dados que não mentem
Hoje existem mais de 3 mil milhões de jogadores em todo o mundo. A receita global continua a crescer, especialmente nos segmentos de mobile e PC, que lideram o mercado em faturação. Por exemplo, no jogos mobile tem vindo um crescimento brutal de jogadores e muitas empresas já faturam mais com o serviço móvel do que qualquer com outra consola ou PC.
Embora o mercado continue a crescer, o ritmo é mais moderado do que há alguns anos. Curiosamente, os dados indicam que o tempo médio de jogo por utilizador estabilizou, enquanto a receita continua a subir. Isto sugere que menos jogos estão a captar uma fatia maior da atenção… e do dinheiro.
O que melhorou claramente no mundo gaming
Um dos maiores avanços dos últimos 10 anos é a atenção dada à acessibilidade. Iniciativas como as Game Accessibility Guidelines ajudaram a indústria a criar experiências mais inclusivas para jogadores com diferentes necessidades.
Devido ao crescimento de público no sector e de dada também às diferentes tipo de pessoas que cada vez mais se aventuram pelo mundo dos videojogos, a indústria começou a introduzir mais acessibilidade como:
- legendas avançadas
- opções de remapeamento de controlos
- ajustes visuais e auditivos
Este é um progresso inegável e estrutural.
Indie games e tecnologia
Apesar do domínio dos grandes estúdios, o mercado independente tem crescido de forma significativa. Jogos indie arrecadaram milhares de milhões de dólares, especialmente em plataformas como o Steam, provando que ainda existe espaço para inovação e risco criativo.
Para muitos jogadores, são precisamente os estúdios independentes que mantêm viva a essência do gaming.
Do ponto de vista técnico, o salto é gigantesco. Equipas como a Digital Foundry mostram de forma consistente como os videojogos modernos atingem níveis de desempenho, fidelidade visual e otimização impensáveis há 10 anos.
Tecnicamente, o gaming nunca esteve tão avançado.
O mundo gaming está melhor ou pior?

A nostalgia tem um peso enorme nesta discussão. Tendemos a recordar os jogos antigos como “melhores”, quando na verdade ignoramos todas as suas:
- limitações técnicas
- bugs não corrigidos
- falta de acessibilidade
- menor diversidade de experiências
O passado parece melhor porque marcou fases importantes da nossa vida — não necessariamente porque os jogos eram objetivamente superiores.
A resposta honesta é esta:
- Tecnologicamente: muito melhor
- Financeiramente: mais forte do que nunca
- Criativamente: depende do estúdio
- Comercialmente: mais agressivo
- Em paixão: diferente, não desaparecida
O mundo gaming não está pior.. está mais corporativo e isso muda profundamente a relação entre jogadores, estúdios e jogos. Vemos um crescente de comunidades e excelentes amizades e modos cooperativos muitíssimos interessantes que esta indústria consegue proporcionar.
Hoje em dia, a inteligência artificial cada vez faz mais parte do mundo dos videojogos. Temos o exemplo do GOTY de 2025, o Clair Obscur Expedition 33 que foi acusado de ter usado inteligência artificial para a realização do seu jogo; um facto que vai começar a ser cada vez mais comum e normal à medida que avançamos nas próximas décadas.
Os mundos dos videojogos também estão com a tendência de serem mais persistentes, podemos olhar para o que aparenta como será o mundo aberto de GTA VI que sai a 19 de Novembro de 2026, e com isso fortes comunidades crescem para poderem discutir e partilhar o seu entusiasmo com o jogo.
Contudo, com toda esta evolução nesta indústria, os jogadores estão muito mais informados e mais exigentes. Os preços praticados, os constantes atrasos e adiamentos do lançamento dos jogos em que muitos acabam por entregar o jogo “inacabado” ou sem os padrões prometidos fazem com que a indústria se sinta mais pressionada.
Agora a pergunta que fica é a seguinte: os videojogos vão continuar a crescer… só não sabemos como vai crescer e será para quem?
Nota editorial
Este artigo apresenta uma análise editorial baseada em dados públicos da indústria dos videojogos, relatórios de mercado, tendências observáveis e na interpretação crítica e opinião pessoal do autor, enquanto jogador e observador atento do setor. As referências a modelos de negócio, tecnologias emergentes e exemplos de jogos servem exclusivamente para contextualização e reflexão, não constituindo juízos de valor definitivos sobre obras, estúdios ou profissionais específicos.
As opiniões expressas refletem um ponto de vista pessoal e editorial, construído a partir de experiência enquanto consumidor de videojogos, leitura de análises especializadas e acompanhamento contínuo da evolução da indústria. O objetivo é promover reflexão informada, literacia crítica e debate construtivo entre jogadores e profissionais do setor, sem recorrer a acusações, especulação ou sensacionalismo.
Este conteúdo não pretende substituir relatórios financeiros oficiais, comunicações institucionais ou análises técnicas especializadas, nem atribuir intenções internas a empresas ou equipas de desenvolvimento não confirmadas publicamente.





3 thoughts on “O mundo gaming está melhor ou pior do que há 10 anos? A resposta que ninguém quer ouvir”